Aqui junto à nossa casa há uma seguradora, uma sex shop, uma imobiliária e um gabinete de contabilidade. De que mais um adulto precisa? A adulteração é labiríntica e talvez nunca saiamos incólumes. Lembrou-me que à S. constou de fontes femininas que todas as mulheres são hoje em dia proprietárias de um vibrador, e de que a opinião geral é a de que não é grande coisa. Pensei se não se trata mais de um símbolo de emancipação feminina do que utilidade sexual. Os homens parecem também gostar que as mulheres os possuam e de os usar nelas, como uma duplicação de si, para colmatar uma sentida insuficiência ou ampliar um desejado poder. De qualquer modo é curioso um estabelecimento do género num bairro residencial. Os néones vermelhos ficam ligados até tarde, ruborizando a penumbra. Lá dentro um funcionário, mistagogo part time elucidará os visitantes sobre os ritos raramente pensados mas a todo o momento cobiçados, e estes fingindo-se sabedores ou deixar-se-ão levar puerilmente até a um novo mundo de maravilhas, suspeitando que é no absurdo, por novo, onde arde o fogo de Zeus. Se as necessidades se aprendem, deverá haver quem as ensine, o que geralmente ocorre num contexto comercial. Aqui se podem exercer as relações de confiança por meio da fatura com NIF. São coisas de adultos, tuteladas, com as suas regras. Deixa-se ser quem quer.