Trajectos reais
Série de Fio condutor · 19 entradas.
Ora essa, senhores turistas
Uma crónica hibridamente literária e comezinha, a respeito de coisas como turismo, gentrificação e alienação urbana. Publicado hoje no Público: Ora essa, senhores turistas Porque antes que…
Zeca Afonso e os séculos
Crónica da minha autoria sobre a música de Zeca Afonso, publicada no Público: Zeca Afonso e os séculos A cantiga pode ser uma arma, mas a música é o que acontece quando nada mais resta,…
Sem título
«Lamento tão pouco livro para tanto tempo» — li assim a dedicatória mais ou menos ilegível de uma coletânea do Eugénio de Andrade oferecida a Herberto Helder, em depósito na Biblioteca…
Sem título
A intolerância não principia nem termina com a negação do diverso. A negação é a expressão fatal, mórbida. Ódio, sim, e, a montante, o medo, também sim. Também já se sabe do estatuto, do…
Sem título
Sociedade Civil de ontem na RTP2 sob o mote “Ser bom, chega?” (no sentido prático profissional, não moral). Nesta discussão, avieram a educação infantil com a performance profissional como…
Sem título
Fomos ver o filme Oito Montanhas, baseado num livro do escritor italiano Paolo Cognetti. Tentei pensar no que dizer, mas as palavras ficaram lá em cima, no refúgio subterrado do pensamento.
Pinguim
Os convivas indagavam antros interiores com a mesma implacabilidade com que a música das palavras constelava a mais inexprimível alegria. Espaços estendiam se em busca de outros espaços,…
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Acordei novamente espancado pelas obras da casa do lado. Venho do sono dorido dos martelos e das vozes fundas e inchadas dos homens. Vou tentando novos sonos na paz que encontro entre as…
Sem título
As obras da casa ao lado amainaram. Da sua fúria restam cacos e pó. Sei ser mais uma trégua passageira, mas em cada uma sinto uma paz infinita (— mas dessa infinitude comunga também o…
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Hoje é dia de Todos os Santos. Bastante inclusivo. Lá fora, pela imagem das janelas, fremem as cores outonais no possível das copas. Dei com uns morcegos pendurados em algumas portas,…
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Os Animais e o Dinheiro, de Gonçalo M. Tavares e Os Espacialistas. O espetáculo aconteceu no Rivoli, um edifício que me suscita a ideia de uma monumentalidade em ponto pequeno. Os mármores,…
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Ali perto, no fim da Rua das Virtudes, do lado direito, há um chafariz. Ao lado da estrutura está plantada a sua mneumobiografria: um parágrafo em português, outro em inglês. Uma chapa…
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O carnaval aproxima se da sua febre. As lojas distribuem fogo e cores. As máscaras carnavalescas requerem pouco cálculo interpretativo. São uma ideia acabada, o seu sentido é espontâneo. Na…
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Anteontem fui a um concerto de música de câmara na ESMAE. Tocava o Primrose Quartet, dizia o programa. E dizia mais coisas. Diziam quem eram e o que tocavam, de onde vinham, como vinham,…
Sem título
Biblioteca de Serralves. É outra biblioteca de chão rangente que obriga à anunciação dos passos. Em que escolas de arquitectos de bibliotecas andaram estes arquitectos de bibliotecas? Ou…
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Vou a três quartos do Jerusalém do Gonçalo M. Tavares. O primeiro livro que deste autor leio. Tem sido de uma prosa comedida, controlada, cinzentamente poético, nunca se distanciando da…
Sem título
Biblioteca. Ainda Vergílio. Ler é impossível sem poder estancar as torrentes de palavras que se vão sucedendo. E fico assim sentado a olhar para elas por dentro de fora para dentro por…
Sem título
Tenho vindo à biblioteca Almeida Garrett para ler, escrever, estar. Trata se de uma biblioteca de um soalho levíssimo, rangente por debaixo dos passos, quase de anti biblioteca. Caminhando,…
Sem título
Feira do livro no palácio de cristal. Encontrei edições gastas, e destituídas a cinco euros, do Em Nome da Terra do Vergílio Ferreira. O mercado livreiro diz que este exemplar vale menos…