Gosto de olhar as reproduções de gravuras antigas que têm por mote a cidade onde, dentro de alguma das suas casas, estão dependuradas. Fazem alguma decoração. Nelas os lugares simplificados à parcimónia do desenho adquirem uma qualidade enfabulada, quase somente ilustrativa, como se as devesse acompanhar, e faltasse, um texto, um artigo, um poema. Gosto desta sua incompletude porque a fotografia não as substituiria. Também tenho o gosto pela cópia que são, mas aspirando dignidades de original dentro da moldura de madeira pintada e por detrás do vidrinho que as protege das mãos, da humidade, do pó. Têm uma existência interior.